Não cheguei aqui por vocação. Cheguei por exaustão.
Sete anos a trabalhar dentro de aviões, um luto, uma deusa hindu a dizer-me para me despedir, e uma viagem sozinha ao outro lado do mundo para aprender a massajar. Esta é a parte que não cabe na página de entrada, para quem quer saber com quem vai estar sozinha numa sala durante uma hora ou duas.
Sete anos a viver em fuso horário nenhum.
Fui assistente de bordo durante sete anos. Vista de fora é uma vida bonita: acordas em Lisboa e jantas noutro continente. Vista de dentro é um corpo que nunca sabe que horas são. Dormia mal e a horas absurdas. Comia o que havia, quando dava. Trabalhava um turno inteiro com o sistema nervoso ligado no máximo, porque numa cabine é isso que te pedem: estares pronta para o que possa correr mal, com um sorriso por cima. Ninguém me avisou de que aquilo tinha um preço. Descobri-o pelo corpo, que é como se descobrem estas coisas. Cansaço que o fim de semana não tirava. Ansiedade sem assunto. A sensação permanente de estar a funcionar em cima da hora. Foi também aí que recebi as minhas massagens, como cliente. Era sempre um momento importante para mim, onde me permitia relaxar. Quando digo que já fui a pessoa que chega aqui sem conseguir desligar, é disto que estou a falar.
A minha mãe.
A minha mãe foi diagnosticada com cancro da mama quando eu tinha 16 anos. Morreu dez anos depois, a meio dos meus anos de aviação.
Fica por aqui. Não é segredo nenhum e também não é uma credencial: a morte de uma mãe não me qualifica para nada e não a vou usar para isso.
Está escrito nesta página por uma razão só. Foi no luto que fui à procura de outra coisa qualquer, e é aí que começa o resto.
A deusa que me mandou despedir.
Uma colega de trabalho levou-me a um encontro de xamanismo em Lisboa. Fui por curiosidade e sem fé nenhuma, e saí de lá com a sensação de ter encontrado uma linguagem que já sabia falar. Com a pandemia e os aviões em terra, estudei tudo o que me apanhou à frente: xamanismo, tarot, chi kung, e em 2020 fiz a minha primeira formação a sério, de professora de ioga. Foi lá que aconteceu. Estávamos num kirtan, um canto devocional dedicado a Kali, a deusa que na tradição hindu destrói o que já não serve. A meio, comecei a chorar sem saber porquê e ouvi uma instrução, dita com todas as letras: vais-te despedir da aviação. Podes ler isto como quiseres. Uma mensagem, o subconsciente a falar mais alto, ou sete anos de cansaço a encontrarem finalmente uma saída. Para o efeito, tanto faz: despedi-me na mesma, e o resto desta página é o que aconteceu a seguir.
Antes que a sobrancelha suba.
Uma pausa aqui, para a pergunta que estás a fazer.
Há quem ache que xamanismo é rapé e tambores. Faço as duas coisas, quando fazem sentido, mas não é aí que está o essencial. Para mim, xamanismo é reconectares-te com os elementos da natureza e com aquilo que é verdade para ti. A respiração é o ar. A música pode ser a água. E nem sequer tem de ser um tambor: um instrumento qualquer, tocado com atenção, faz exatamente o mesmo trabalho.
Não é uma religião, não te peço fé nenhuma e não te vais deitar aqui a ouvir alguém falar de espíritos por cima da tua cabeça. O que mais me dizem, no fim de uma sessão, é que lhes apeteceu ir abraçar uma árvore. É mais ou menos isso.
E se ainda assim não te sabe bem, explico-te tudo na conversa antes de começarmos. Não entra na sessão nada que tu não queiras.
Os dois anos em que não sabia o que andava a fazer.
A parte heroica acaba aqui. Despedi-me em 2021 e passei os dois anos seguintes a fazer um pouco de tudo: aulas de ioga, aulas de qigong, uma formação atrás da outra, sem conseguir dizer numa frase o que é que eu fazia. Em 2023 fui para a Ásia. Vietname e Tailândia, sozinha, e foi a primeira vez em sete anos que entrei num avião sem farda. Em Chiang Mai aprendi massagem tailandesa dos pés na Old Medicine Hospital e Chi Nei Tsang, que é trabalho abdominal, no sítio do corpo onde se guarda o que não se digeriu. Aprendi qigong. Voltei com as mãos a saber coisas que a cabeça ainda estava a arrumar.
Não faço milagres. Faço companhia ao teu sistema nervoso durante uma hora, e ensino-te a fazê-lo sozinha.
O que está num papel que eu posso mostrar.
Recebo pessoas desde 2020. Nada disto vale mais do que o que sentes na marquesa, mas há quem precise de ver antes de marcar, e com razão. Estas são as formações que tenho certificadas, com a escola, o sítio e o ano.
Tenho os certificados todos digitalizados. Se quiseres ver algum antes de marcares, pede.
Se leste até aqui, já sabes com quem vais estar.
A sessão é montada à volta do estado em que chegas nesse dia. Se já sabes o que queres, marca. Se não sabes por onde começar, responde a cinco perguntas e eu digo-te.
Não sabes por onde começar?
Cinco perguntas, dois minutos